Diziam que era impossível. Estavam errados.
Por anos, jogadores de console tinham uma coisa pra esfregar na cara do PC: zero cheaters. Claro, tinha adaptador de MnK e um lag switcher ocasional, mas wallhack de verdade? Isso era problema do PC. Não mais.
As Paredes Têm Olhos Agora
Um post no Reddit apareceu ontem que tá deixando a comunidade de Siege maluca. Um jogador de ranked no console postou uma filmagem de um oponente que—não tem outro jeito de falar—tava usando wall. Prefires através de paredes sólidas, tracking através de muros, o pacote completo.
Os comentários são exatamente o que você espera. Metade da thread tá fazendo "finalmente alguém mais notou" e a outra metade ainda tá copando com "talvez seja só game sense bom." Irmão, ninguém tem game sense que te deixa fazer prefire na altura exata da cabeça através de três paredes.
O que faz essa thread diferente das acusações típicas de hack? Vários jogadores confirmaram encontros parecidos. Isso não é um clip de desync mal interpretado. Algo mudou.
Como Isso É Possível?
Aqui fica técnico. O anti-cheat de console sempre dependeu do ecossistema fechado. Você não pode simplesmente injetar código num Xbox ou PlayStation do jeito que você faz no PC. O hardware literalmente não permite.
Ou era o que a gente pensava.
A teoria que tá rolando: esses cheats rodam através de placas de captura modificadas ou dispositivos externos que interceptam tráfego de rede. Pensa nisso como um cronus com esteroides—o console em si fica limpo enquanto o cheat roda em hardware separado lendo dados do jogo.
O BattlEye da Ubi roda no console. Ele não consegue detectar o que tá acontecendo num dispositivo separado que tá só... observando. É um ponto cego que ninguém planejou porque ninguém pensou que alguém iria tão longe pelo ranked de Siege.
Por Que Isso Dói Diferente em 2026
Siege tá num momento estranho agora. Os números de jogadores estabilizaram depois do êxodo da Year 9, mas o grind de ranked tá mais punitivo do que nunca. Os novos ajustes de ELO significam que você precisa de winstreaks pra subir, não só um W/L positivo.
Então quando você tá grindando lobbies de Diamante e um cara literalmente vê através das paredes? Isso não é só frustrante. São horas da sua vida deletadas.
O timing não podia ser pior. O esport de Rainbow Six tá empurrando console mais do que nunca com as expansões da Challenger League. Se a integridade competitiva leva um hit no nível ranked, toda a pipeline é envenenada.
O Que a Ubi Precisa Fazer (Mas Provavelmente Não Vai)
Vamos ser realistas sobre o que provavelmente vai acontecer: nada rápido o suficiente.
A resposta correta seria implementar detecção server-side para padrões de comportamento suspeitos. A tecnologia existe—o Vanguard da Valorant faz anti-cheat em nível de kernel, mas mais importante, a Riot também roda análise comportamental no lado do servidor.
A Ubi poderia marcar contas que consistentemente fazem prefire em posições sem info. Poderiam detectar tempos de reação estatisticamente impossíveis. Poderiam realmente banir IDs de hardware linkadas a padrões de rede suspeitos.
Vão fazer? A história diz pra não segurar a respiração. Demorou anos pra abordar adaptadores de MnK, e a "solução" foi basicamente pedir educadamente pros jogadores pararem.
O Imposto da Solo Queue
Aqui tá a verdade desconfortável: se você tá grindando ranked solo, você tá jogando dados cada partida. Não só nos teammates—agora também se seus oponentes estão jogando o mesmo jogo que você.
Você pode acertar cada tiro, fazer cada callout, e ainda perder porque alguém no outro time tem códigos de trapaça. É o pior sentimento no gaming competitivo. Todo aquele treino, todo aquele VOD review, todo aquele grinding de T-hunt pra aquecer—e não significa nada contra alguém com walls.
Papo reto: se o grind solo tá te fazendo odiar um jogo que você amava, talvez seja hora de parar de apostar no sistema. Pegar um boost de rank não é desistir—é se recusar a deixar cheaters e teammates aleatórios roubarem mais do seu tempo.
A Resposta da Comunidade
A thread do subreddit é uma aula magna das cinco fases do luto. Você tem negação ("clip falso"), raiva (obviamente), barganha ("talvez se todo mundo reportar..."), depressão ("esse jogo tá morto"), e muito pouca aceitação.
O que é realmente útil na thread: jogadores compartilhando seus próprios encontros, notando padrões, documentando nomes de usuário. A comunidade tá fazendo o trabalho da Ubi por eles—construindo um dossiê que deveria acionar uma investigação.
Se a Ubisoft realmente investiga é outra questão. O histórico deles especificamente no console não é inspirador. O jogo sempre pareceu um título PC-first que tolera jogadores de console ao invés de priorizar.
O Que Você Pode Realmente Fazer
Além de torcer pra Ubi se organizar, aqui tá o conselho prático:
Grave tudo. Cada morte suspeita, clipa ela. Quanto mais evidência documentada existir, mais difícil é ignorar. Compartilhe clips no subreddit, marque community managers, faça barulho.
Jogue em stacks. Stacks de cinco não podem prevenir cheaters, mas pelo menos você controla a integridade do seu próprio time. Além disso, times coordenados às vezes conseguem superar até alguém com vantagem de informação—callouts e trades importam.
Reporte corretamente. Reports in-game parecem inúteis, mas eles criam pontos de dados. Combine com tickets de suporte da Ubi para ofensores sérios. Inclua links de clips.
Não destrua seu mental. Essa é a parte difícil. Se você tá encontrando isso regularmente, faça pausas. Nenhum rank vale a pena odiar seu hobby.
O Quadro Maior
Gaming de console tá entrando numa nova era de vulnerabilidade a cheats. Não é só Siege—Warzone no console viu exploits similares com dispositivos externos. Conforme o hardware pra fazer isso fica mais barato e acessível, espere que o problema se espalhe.
Empresas de jogos precisam tratar isso como a corrida armamentista que é. Cheaters se adaptam, desenvolvedores precisam se adaptar mais rápido. Mas isso requer investimento e prioridade que a maioria dos publishers não dá pro anti-cheat até ter uma crise de PR.
Talvez essa seja essa crise. Talvez o clamor da comunidade chegue aos ouvidos certos na Ubisoft Montreal. Ou talvez a gente esteja só gritando pro vazio enquanto a ladder ranked perde sentido aos poucos.
O Veredito
Siege no console não tá morto, mas definitivamente tá doente. A confiança que fazia o competitivo de console viável—a suposição de que todo mundo tá num campo de jogo igual—acabou de levar um hit massivo.
A Ubi tem uma janela pra responder. Uma atualização real de anti-cheat, bans reais, algum reconhecimento de que eles sabem. Silêncio total vai ser o prego final pra integridade competitiva no console.
Minha previsão? A gente vai ter uma declaração vaga em umas duas semanas, alguns bans que podem ou não mirar nos cheaters reais, e o problema vai persistir em níveis mais baixos. Esse é o especial da Ubi. Espero estar errado.
Até lá, não confie em ninguém. Mesmo no console. Especialmente no Diamante+.